sábado, 2 de janeiro de 2010

Por um novo..

..amor, abraço, sapato, sorriso, beijo, um novo você para um novo eu menos aturdido. Mude as conversas, mude a si, releia a bula, o manual. Dois anos de garantia.
Que a verdade é que eu te vejo de longe, te querendo aqui, correndo para ti, implorando por ti. Só é uma virada de ano, um dia para novos 365 infernais, esperança em um e miséria no resto. Então, eu sozinha vendo luzes no céu, segurando o choro nos últimos cinco segundos, forjando uma felicidade instânea como miojo no panela. Me perdoe, eu perdi a esperança há 16 anos atrás.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Meu eu por mim mesmo.

Eu tenho 16, por sinal adoro o número 6 é pra mim o número da minha vida. Tenho uma família estável em conceitos normais, minha infância só foi meio molhada demais. Certamente eu não vou falar sobre o meu passado, sendo que aqui pretendo manter os fatos do presente em ordem e assim pensar melhor sobre cada um. Eu tenho pais divorciados, e no momento minhas opções andam "divorciadas". Tenho quatro pessoas que não sejam familiares que ocupam boa parte do tempo. Sendo que duas moram em certa distância e as vezes somem, o que me deixa frenética atrás de opções que não me façam criar certa raiva do sumiço e por assim delas. Sem estes ando como uma alejada sem cadeiras de rodas, ou seja, não ando, fico parada olhando os outros andarem. Eu permaneço correndo no momento, correndo contra o meu passado, e sinceramente fazer tudo isso sem saber o que quero me deixa confusa, pense comigo, se eu não sei o que quero e apenas o não quero, escolho algo pensando "é isso!" e depois deixo ir vendo que era algo a mais pra se descartar, porém eu tenho medo de descartar algo que não quero de cara e que um dia possa ser algo que queira. Então mantenho a pose de mulher, a face de nada me machuca mesmo quando eu mal consigo respirar de tanta agonia. Eis ainda choro antes de dormir pelo mesmos motivos que há dois anos, pois assim não é necessário admitir que choro por motivos muito parecidos com os velhos e tem uma gota de súplica com o gosto mais ardente que os anteriores. Vou rir sozinha daqui a pouco, dizer que tudo isso é desnecessário que eu não preciso de nada. Ora, que eu amo ter o controle de tudo, dizer quando algo começa e quando termina. Mas não gosto que gostem de mim, pois me sinto forçada a gostar do mesmo, e se ignoram a minha presença me sinto na obrigação de te fazer gostar dela, e já se preferes ser indiferente, tendo a fingir que não sei teu nome e muito menos teu telefone de contato. Quando te vejo chegar consigo até me espantar, depois dou risada, aquilo foi só uma visão, pouco tempo se passou,  é obvio que é lembrança ainda é fresca pra ti... e pra mim ainda é tão presente, e sem valor, porém eu sempre me lembro de tudo. Tudo me é importante, até sobre os desimportantes, porque eu quero ser importante, dá pra se compreender essa idéia? Então eu procuro em cada um tico do que acho querer e logo perco a paixão, ah que toda essa coisa me parece sem sentido. Me mantenho amiga, próxima e nunca algo além. Eu sei que me complico, mas é tão obvio pra mim. Chegar, começar, colocar um desfeixo, e pronto, fim. Não é procurar sentimento, valores, ou fidelidade, só algo mais fixo e sem nada além. Não quero um namorico no orkut, ou um amor por internet. Só adoro sentir as coisas fluirem, mas eu as proíbo de fluir porque imponho limites em cada ato meu que até chego assustar os outros, mesmo os desconhecidos, quando me aproximo. Eu sou fácil quando não se tem medo, não vou guardar rancor se não souber meu nome, a mágoa vai ser minha e nem sequer vou querer que saiba dela, e eu chamo isso de ser discreta. Normalmente eu tento ser, perco o controlo algumas vezes, bancando a mocinha frágil só pra alguém querer cuidar de mim, porque no final sou carente e não gosto de demonstrar, já que essa coisa sou eu e não uma personagem barata. Adoraria me descrever como um labirinto, é tão fácil de se perder e no meio não tem saída, então se me permite dizer quando você se permitir entrar na minha vida, eu não vou lhe permitir a saída até que me canse de você o suficiente pra lhe mostrar o caminho pessoalmente.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Horário Marcado

Pude ouvir os passos vindos do corredor, engoli em seco a saliva o que desceu queimando na minha garganta seca. Segurei o revólver com mais força na posição, juro que não pretendia tremer. Ela entrou sorrindo, escondi a arma entre as pernas, fiz sinal para que esta sentasse enquanto lhe sorria de volta. O som do salto alto batendo no chão sempre foi uma paixão, era o som da minha mãe chegando em casa na minha breve infância. Disse-me que seu nome era Kátia, mas em cinco minutos eu já tinha esquecido seu nome, esquecido sua cara, atirado em seu peito, escutado seu grito, chamado a empregada e lhe dizendo para limpar o chão, não queria uma mancha do seu sangue sujo no meu tapete, eu só não me esqueci daqueles sapatos, altos e de couro, eu odeio couro.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Desde o cheiro, até o jeito de andar.


Quero o cheiro que me tira o sono, imploro pelo sabor que afoga, grito pelo toque, e almejo um suspiro na nuca,  um beijo meia-lua, meu braços envoltos no seu pescoço, minha perna na sua, meu rosto no seu. Lembraças que levo do som do andar, do estalo do lábios, do sussurro no ouvido, bem baixo, só pra mim. Eu te pego pra mim, te guardo no peito, te desvalorizo, te sujo enquanto me limpo. No teu balanço, eu danço, e por ventura, descanço. E no final, de sonho eu vivo, do toque destes, das peles brancas que me tiram a lúcidez, das bocas mácias e rosadas, a pele quente contra a minha frieza, derretendo meu gelo com palavras cálidas (e que resoam ao meu ouvido) que me fazem tremer. Então eu te deixo, com um aperto de mão, com um abraço de um braço só, com um beijo sem boca... Tua imagem tremida e minha imagem para ti, perdida.
Ass:
Eu, monocromática no seu mundinho colorido.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tango

"Ler da tua boca as palavras com a atenção do surdo, falar com os olhos e as mãos como fazem os mudos"
Normalmente faria tragédia, mas foda-se, isso me trouxe cansaço. Acordei diferente nesta manhã em que o sol enchia o quarto, e entrava pela janela do banheiro invadindo a sala. Dentre todas as formas de expressão, escolhi palavras sujas e pretendo usá-las. Não importa quanta vezes você limpe o salão o mundo volta a sujá-lo. Pois a sujeira é eterna. Então largue a vasoura, e quem sabe um pouco da roupa. Já lhe disseram o que é necessário pra se viver?
Nas bagatelas que ouço, distorço e engulo, toda essa merda afinal precisa ir pra algum lugar. Eu guardo a visão distorcida daquilo que deixo no passado, não pretendo distorcer o cheiro, o gosto, a textura... Pele contra pele. Mantenho tudo isso, imaginas o por quê? Pode levar como exageiro, paixão, ou quem sabe amor. Mas pra mim nada disso importa, o que importa é sentir (Seja quente, frio ou morno). Quem disse que fogo é ruim? A chuva vem logo após. Molha-te o corpo, marcando a forma ainda mais. Eu respiro amor, e nem sequer preciso amar. Eu só preciso querer um pouco além.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Eu vejo a dor

"Será que eles não entendem que a dor no fundo esconde uma pontinha de prazer"
Faz frio lá fora, neva aqui dentro. Dor prazeirosa vem adocicada em sua forma, desce pela garganta queimando com fervor. Meu desejo não passa, e o vício não volta. A droga deixada, a cura implorada, as frases abstradas que saem da voz fraca. Sempre pensei em como seria, não omito, mas assim supera as espectativas. Veja o roxo, o verde, a cor do pobre, eu sou podre. Suja, fúnebre, medíocre. Sou um verme, e me considerava mulher. Diz que sou fria, que te faço mal, que mancho tua roupa, tua boca. Infectado, quarentena, teu corpo é meu, sou tua doença. E com todo sentido da frase, pretendo te matar, sugar tua vida, deixar-lhe de herança a dor que me afundei, meu amor. Diz que vem, vou contigo do purgatório ao inferno, já que ambos merecemos isso. Ordeno, escutás meu coração, o som que devia ser teu e que agora bate por ter de bater. Tic, tac.
Sou fria, és frio. Por isso neva, chove, faz frio, trememos... E assim vivemos. Vivo sem você, vive sem mim. Mal necessário te querer sem conseguir te amar mais. As outras tomarão meu lugar, como outros tomarão o teu. Tenho pena, porém não tenho piedade de mim mesma... Jamais.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tormenta

Os tempos mudaram, abram suas mentes, senhores.
Apreciem o novo show, devo dizer que as coisas mudaram, que as dores são outras, que as respostas nem sequer existem mais. Atenue sua dor, o sabor. Sinta o desejo nas veias, o sangue na boca. E com certeza a loucura te subindo a cabeça.
Tirou-me do sério, levou-me as alturas. Completou as bordas, e jogou-me fora. Eu não sinto dor, mostro com destreza a força que em mim está presa. Tornou-me louca pois estou neste abismo onde não posso te encontrar, onde os corpos não emitem calor e o frio chega rápidamente a sua posição natural, deixando-me estatelada no chão.
Eu não faço mais sentido e minha vida é um circo, muito obrigada.